Conheço três engenheiros recém-formados que tiraram nota máxima em cálculo, programação e estatística. Os três foram demitidos do primeiro estágio em menos de 6 meses.
Não por incompetência técnica — pelo contrário. Foram demitidos porque, no dia em que o chefe perguntou "o que a gente faz com isso?", os três responderam variações de: "depende dos dados", "preciso estudar", "posso pesquisar e te volto?".
Eles estavam certos. E estavam errados ao mesmo tempo.
O contrato implícito da faculdade
Toda faculdade boa funciona assim: você recebe um enunciado bem definido, aplica uma ferramenta apropriada, e entrega uma resposta verificável. O enunciado é completo de propósito. A ferramenta é ensinada antes. A resposta tem gabarito.
Esse modelo treina uma coisa muito bem: profundidade técnica. E falha em treinar três coisas que o mercado pede em todo dia de trabalho:
- Decidir sem enunciado completo.
- Achar o problema real antes de aplicar ferramenta.
- Comunicar a conclusão antes do raciocínio.
Não é que faculdade seja ruim. É que ela treina o jogo do laboratório, e o mercado é o jogo da rua. A bola é a mesma, as regras são outras.
Por que isso não é "soft skill"
Tem uma armadilha que precisa ser desfeita logo: essas habilidades costumam ser jogadas no balaio de "soft skills" — junto com "trabalho em equipe" e "boa comunicação". Não é.
Soft skill é traço — você tem ou desenvolve com tempo. As três habilidades acima são técnica: têm método, têm passo a passo, são treináveis em semanas. A faculdade chama de soft skill porque não sabe ensinar. Mas dá pra ensinar — e dá pra praticar.
A diferença entre o estagiário que estagna e o estagiário que vira júnior em 12 meses quase nunca é técnica. É essas três.
As três habilidades
Essa série existe pra dar nome, técnica e prática pra cada uma. São três posts — um por habilidade — saindo nas próximas três semanas.
#1 — Decidir quando falta dado (publica 12/05)
Como avançar quando o enunciado vem pela metade. Dois filtros (crítico vs. inferível), uma frase que te protege, e por que pedir mais dado antes de pensar te marca como dependente.
#2 — Os 5 porquês (publica 19/05)
Por que quase todo problema "resolvido" volta. Como achar a causa real em vez de tapar o sintoma. Um método criado pela Toyota nos anos 50 que cabe na sua próxima reunião de TCC.
#3 — PREP em 30 segundos (publica 26/05)
A fórmula que faz você parecer sênior em entrevista, banca e reunião. Quatro blocos. Trinta segundos. O contrário do que seu instinto universitário manda fazer.
Por que tratamos disso no Connect
Connect Ideathon não compete com faculdade — complementa. A faculdade entrega ferramenta; o Connect entrega o raciocínio que decide qual ferramenta, quando, e como apresentar.
Durante 4 dias, você atravessa um problema real de uma empresa parceira: ambíguo, com dados faltando, sem gabarito. O ConnectAI conversa com você como mentor — faz perguntas, nunca entrega resposta. No fim, você defende a solução pra banca e pra empresa.
Quem sai do evento entrou com habilidade técnica e saiu com algo que faculdade nenhuma te dá: a experiência de ter atravessado um problema do tipo que você vai ver no primeiro dia de trabalho.
Esse é o post de abertura da série Sem Gabarito — toda quinta no Instagram do Connect.
